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Silêncio

Por Ana Christina Figueiredo Naves de Carvalho *


De modo geral, os problemas ecológicos são mais intensos nas grandes cidades. E, além das famigeradas poluição atmosférica e visual, nossas metrópoles apresentam um outro grave problema: a poluição sonora.

Infelizmente, de tão habituados a ela, já nem percebemos mais seus nocivos efeitos. Apenas quando sentimos a grandeza do silêncio é que podemos nos dar conta do mal causado pelo excesso de decibéis. O correcorre desenfreado de nossas loucas vidas já não nos permite escutar o que, literalmente, grita. Estamos perdendo a noção. Estamos sendo adestrados para o convívio com o barulho ensurdecedor do mundo contemporâneo. Se o tormento do ruído não cessa, como seres humanos que somos, nos adaptamos a ele, mesmo que a duras penas. E, em tempos tão conturbados, o anormal se transforma em normal, o absurdo em algo absolutamente comum. Estamos carentes de silêncio. Silêncio que nos proporciona o olhar para dentro, silêncio para ouvir os nossos pensamentos. Silêncio para concatenar nossas idéias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os alto níveis de ruídos a que estamos expostos provocam uma progressiva diminuição da capacidade auditiva, interferência na comunicação e no sono, dores de cabeça e no corpo, distúrbios diversos, além de difi culdade na execução de tarefas.

Assim como toda ação nociva ao meio ambiente, a poluição sonora é acolhida pela nossa legislação.Existem padrões a serem seguidos. No caso brasileiro são estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas- ABNT, através da Norma NBR n. 10.152, regulamentada pelas Resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente- CONAMA, sobre a avaliação do ruído em áreas habitadas, visando proporcionar conforto e saúde à comunidade.

Enfim, as práticas geradoras de poluição sonora podem e devem ser coibidas, é um direito assegurado a qualquer cidadão. Porém, apesar de termos instrumentos capazes de reprimir abusos sonoros, cabe a nós pensarmos preventivamente, precisamos dar foco ao planejamento urbano eficiente, esta sim é a forma mais adequada para se viabilizar uma vida mais saudável.

O planejamento, apesar de árduo, é indispensável, na realidade, é essencial!

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