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Felicidade Interna Bruta

Por Gisele Kimura

Na edição passada, falávamos sobre desenvolvimento e a falácia do PIB como indicador de riqueza. Recentemente, vi uma reportagem que me chamou atenção e me trouxe esperança. Já ouviram falar de FIB:
Felicidade Interna Bruta? Pois esse conceito é tão velho quanto eu, nasceu em 1972, no Butão (um pequeno país do Himalaia), quando o rei questionou os valores do progresso econômico desenfreado e decidiu priorizar a manutenção de um balanço entre tradição e modernidade.

Desde então, o reino do Butão começou a praticar esse conceito e atrair a atenção do resto do mundo com a sua nova fórmula para o cálculo de riqueza de um país, que considera outros aspectos além do desenvolvimento econômico, como a conservação do meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas. Baseia-se em 9 domínios de onde são extraídos indicadores para avaliar a "Felicidade” de uma nação: bem-estar psicológico, meio ambiente, saúde, educação, cultura, padrão de vida, uso do tempo, vitalidade comunitária e boa governança.

De acordo com o ranking de PIB dos países, a economia do Butão é uma das menores do mundo, fi cando em 157º lugar dentre 182 países pela classifi cação do Banco Mundial em 2008. Neste ranking, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar. Contudo, considerando o FIB, a ordem se inverte: 97% da população diz estar entre ‘Feliz' e ‘Muito Feliz' no Butão, o que o torna a 13ª nação mais feliz do mundo. Já os Estados Unidos ficam em 150º lugar na escala da felicidade. Vendo por aí, parece que felicidade e dinheiro não são tão diretamente proporcionais...

A partir deste exemplo e da lucidez de alguns técnicos, o conceito do PIB começou a ser questionado internacionalmente. Afinal, os indicadores de riqueza e de pobreza com os quais contamos hoje não refletem a qualidade de vida das populações. Em outras palavras: as métricas utilizadas valorizam a reprodução do capital e ignoram o ser humano.

Já existem mundialmente equipes dedicadas a buscar novos meios para calcular a riqueza de um lugar. Aqui no Brasil mesmo, a fórmula butanesa está prestes a ganhar uma versão similar, com a construção do IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município), em São Paulo.

E porque não estender o conceito para Belo Horizonte, para o resto do mundo? Pode parecer utopia, mas não é. É uma questão de bom senso, decisão e ação. É por essas e outras iniciativas que ainda acredito que há vida inteligente no planeta Terra.

Jornal do Belvedere nº74 - Coluna da Promutuca - Página 2

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