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Matéria do barulho

Por Gisele Kimura

O filósofo Schopenhauer já dizia há mais de um século, antes mesmo da invenção do automóvel: "O barulho é a tortura do homem de pensamento”. Imagine se ele vivesse nos dias de hoje....

Com o crescimento desordenado das cidades e o surgimento das grandes indústrias, as pessoas passaram a conviver com todo tipo de poluição: das águas, do solo e do ar. No entanto, há um outro tipo de poluição que não pode ser visto e com o qual as pessoas de certa forma se
acostumaram: a poluição sonora.

A poluição sonora dá-se através do ruído, que é o som indesejado, sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio ambiente. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 dB. Acima disso, nosso organismo sofre estresse, aumentando o risco de doenças como hipertensão, gastrites e distúrbios psicológicos. Só para se ter uma idéia, o barulho de um aspirador de pó chega a 70 dB e na Praça Sete o ruído médio é de 78 dB. Automóveis e eletrodomésticos são os principais responsáveis pela exposição ao ruído no nosso dia-a-dia

O barulho incomoda tanto que há muitos séculos os chineses enlouqueciam os prisioneiros colocando-os em celas em completo silêncio, interrompido apenas pelo incessante tique-taque de um relógio. A poluição sonora também é o grande vilão do sono, sendo um dos maiores causadores de estresse na vida moderna. Por isso, não é bom a gente se acostumar com o barulho.

O direito ao sossego público é garantido pela Constituição Federal. É claro que ninguém vai sair por aí com um aparelho medidor de ruídos a tiracolo, mas se suspeitar de incômodos causados por barulho excessivo,
um serviço disponível da prefeitura de BH é o Disque Sossego (3277-8100), que recebe denúncias da população relacionadas à  poluição sonora, inclusive à  noite. A penalidade para quem estiver fora dos limites estabelecidos na legislação vai desde uma advertência até multa de R$15.000,00.

Nos bairros do vale do Mutuca, ainda somos privilegiados e acordamos quase sempre com o canto dos passarinhos (outras vezes, por outro lado, com o ronco de motocicletas ou motoserras). Ocasionalmente,
vizinhos resolvem dar festas animadas nos finais de semana, mas nesta e em qualquer outra situação o melhor é que prevaleça o bom senso, de ambas as partes (o gerador e o receptor), e que todos entendam que barulho é uma questão de saúde, e não de polícia.

Jornal do Belvedere nº76 - Coluna da Promutuca - Página 2

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