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Sobre mudanças

Por Gisele Kimura

Acaba de ser aprovada neste mês a Política Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo. Esta é a primeira lei estadual com meta de corte de gases de efeito estufa aprovada no País: reduzir em 20% suas emissões de gás carbônico até 2020, em relação aos níveis de 2005.

Como toda lei, esta tem sido alvo de muitas críticas. Os opositores dizem que ela é uma lei "chuchu”, que não passa de um papel que não terá eficácia. Dizem que para a meta ser alcançada o governo também terá de fazer muitos investimentos, sobretudo em transportes. É verdade, como toda lei, não basta ser assinada para que seja cumprida. Seria ótimo se os problemas do mundo pudessem ser resolvidos desse modo, com uma canetada. Mas não é assim. Tudo que exige mudança de hábitos exige um brutal esforço individual e coletivo.

Contudo, chama atenção que em uma política de abrangência tão relevante e global, um dos pontos que gerou mais polêmica era o que tratava da criação de pedágios urbanos. O item foi colocado em função de uma questão que hoje não é mais privilégio dos paulistanos, mas de todos os habitantes de grandes cidades, incluindo Belo Horizonte: os congestionamentos e a emissão decorrente do setor de transporte. Mas a grande polêmica em torno da questão fez com que este item fosse retirado do texto.

É fato que em praticamente toda grande cidade brasileira não há um transporte público eficiente que atraia a população em detrimento ao uso de automóveis particulares. É inegável a necessidade premente de melhorar a estrutura de transporte coletivo.

No entanto, no caso do pedágio urbano, a exemplo do rodízio, a intenção é induzir comportamentos que coletivamente tornem mais efi ciente o uso do sistema viário, até mesmo porque é impossível imaginar que as cidades tenham capacidade de suportar o aumento vertiginoso da frota de automóveis.

Quando pensamos nas colossais mudanças que estão ocorrendo no mundo e nos seus efeitos a curto e longo prazos, a questão do pedágio parece minúscula. A grande polêmica em torno do fato apenas ilustra bem um comportamento que os americanos costumam chamar de NIMBY (not in my backyard - não no meu quintal). Em poucas palavras, quer dizer que queremos mudar o mundo, contanto que não tenhamos que mudar nada em nós mesmos ou em
nosso entorno.

Jornal do Belvedere nº78 - Coluna da Promutuca - Página 2

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