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DE de CODEMA

Por Gisele Kimura

Na edição passada comentamos sobre a reativação do CODEMA de Nova Lima, recém empossado no mêsde julho deste ano. O CODEMA é um conselho municipal, que em geral tem dois signifi cados: Conselho de Defesa do Meio Ambiente ou Conselho de Desenvolvimento Ambiental, dependendo do município. Tem como importante atribuição, entre outras, aprovar licenciamentos ambientais de competência do município. Em Nova Lima, este será o Conselho de Desenvolvimento Ambiental. A diferença pode parecer sutil, uma mera questão semântica...será?

Quando falamos em um Conselho de Defesa do Meio Ambiente, imaginamos uma entidade que tem como objetivo principal a preservação e conservação ambiental. Já quando falamos em Desenvolvimento Ambiental, abre-se margem para muitas interpretações. Em princípio, vamos imaginar que o termo seja equivalente ao tão falado Desenvolvimento Sustentável, aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Mas será que compreendemos mesmo o que isso significa ou apenas usamos um termo politicamente correto para encobrir nossa culpa e incapacidade de mudar nosso estilo de vida? Depende do que se entende por desenvolvimento.

É inacreditável como em pleno século XXI, com tanta tecnologia e conhecimento, ainda nos baseamos em premissas econômicas do século XVIII. Naquela época, as ideias de Adam Smith fundaram as bases da economia moderna, em que a natureza era percebida como um grande e inexaurível recurso.
Na época isso era até compreensível, pois população mundial girava em torno de um bilhão de pessoas e seria quase impossível prever as mudanças que o homem causaria no planeta 200 anos depois.
Porém, hoje em dia ainda muitos economistas e governantes acreditam que a Economia pode prescindir dos limites do meio ambiente, levando as pessoas a defender o crescimento econômico permanente. Governo do mundo todo (inclusive o nosso) adotam o PIB como a medida de riqueza, sendo que este indicador está totalmente na contramão da busca por desenvolvimento sustentável. O conhecimento em todas as áreas da Ciência mostra isso: a física, a ecologia, a Teoria dos Sistemas, até a Matemática nos revelam que progressão geométrica em qualquer sistema - que é como se comportam a Economia e a Demografia – tende ao colapso.

Desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Além disso, o que se chama de "crescimento econômico” na realidade é "não econômico”, uma vez que seus custos marginais, derivados dos impactos sociais e ambientais, podem ser maiores que o seu valor em termos dos benefícios da produção e normalmente não são contabilizados. Assim, empreendimentos diversos proporcionam lucros gordos aos donos do negócio (e polpudas
comissões a políticos), mas quem arca com os custos - a degradação ambiental, a
destruição de belas paisagens, o deslocamento de populações, etc. – é a sociedade. Estapaga a conta. Isso acontece a toda hora e é chamado de progresso ou desenvolvimento.

A Economia não tem que crescer indefinidamente para se eliminar a miséria. O desenvolvimento sustentável se baseia em 3 pilares: aumento da produtividade no uso dos recursos, controle populacional e redistribuição de riqueza. Resumindo: qualidade ao invés de quantidade. Por isto, convido os membros do novo CODEMA de Nova Lima a refetirem: o que você entende por Desenvolvimento Ambiental? Pensem bem, pois as suas mãos contribuirão para traçar os caminhos para o futuro desta cidade.

Jornal do Belvedere nº73 - Coluna da Promutuca - Página 2

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