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E-LIXO

Por Ana Christina Figueiredo Naves de Carvalho *

Você já ouviu falar em E-lixo?

Pode até ser que não, mas com certeza já se deparou com este problema.

E-lixo é como vem sendo chamado o nosso lixo tecnológico.

Diante dos avanços tecnológicos, a chamada "Era Digital” vem sofrendo uma aceleração exponencial, causando a substituição maciça de equipamentos praticamente novos, mas de certa forma já impotentes
e obsoletos diante dos "terabits” da atualidade.

Vez ou outra vemos pessoas perplexas com a velocidade da nova era, lamentando como um novo software não "roda” mais naquele PC de pouco tempo de uso: "Não é possível! Esse computador é novo! Tem uns dois ou três anos que comprei...”

Um bom exemplo desta corrida digital foi a substituição maciça (em menos de três anos) dos monitores CRT pelos de LCD, estes muito mais econômicos e não emissores de radiação provocada pelos raios catódicos, o que, em tese, seria um grande benefício para a natureza devido à  economia de 75% em energia elétrica. Todavia, a extinção em massa desses monitores sem a devida cautela causou um signifi cativo aumento no descarte inadequado de produtos eletrônicos. A estimativa é de que atualmente sejam produzidas no mundo mais de 40 milhões de toneladas de lixo tecnológico ao ano. Esse acúmulo, infelizmente, tende a aumentar. E assim criamos um grande problema para o nosso planeta...

O risco oferecido pela destinação inadequada é preocupante devido à s substâncias tóxicas, metais pesados como chumbo, arsênico, níquel e mercúrio, que ameaçam a água, solo e ar. Eles se infi ltram facilmente no solo, comprometendo os mananciais e entrando silenciosamente na cadeia alimentar, causando vários tipos de doenças, dentre elas o câncer, má-formação fetal e outras patologias graves.

Sob esta perspectiva, nossa legislação é incipiente, não contempla as velozes mudanças
de nossa sociedade. O resultado é uma "colcha de retalhos” que tenta regulamentar o que já ocorreu, não atendendo à s urgentes necessidades ambientais.

Afinal, de que adianta regulamentar HOJE, por exemplo, o descarte dos tais monitores CRT, sendo que a grande maioria efetivamente já poluiu o nosso meio ambiente? Mesmo que essa regulamentação ocorra imediatamente e o Estado impute ao fabricante a responsabilidade pelo descarte, conviveremos com os danos irreversíveis, assim como o que ocorreu com as pilhas e baterias até regulamentação do correto descarte, embora ainda nos deparamos com fi scalização precária.

Então, enquanto cidadãos, nos resta cobrar das autoridades competentes ações rápidas e consistentes que apresentem uma cadência lógica, em prol de um mundo sustentável e ecologicamete correto, pois precisamos de leis ambientais em consonância com as exigências do nosso tempo.

Já como seres humanos e inquilinos deste planeta temos a obrigação de sermos seletivos, prestigiando as empresas engajadas com as questões ambientais, deixando que as demais sejam forçadas pelas leis do mercado a seguir o mesmo caminho.

*Diretora de Educação Ambiental do Promutuca.

Jornal do Belvedere nº79 - Coluna da Promutuca - Página 2

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