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A utilização de felídeos silvestres como detetives ecológicos da paisagem

Apesar do número de Unidades de Conservação no Brasil vir aumentando sensivelmente nas últimas décadas em resposta à fragmentação e destruição de hábitats, expansão urbana e ocupações desordenadas na paisagem, as mesmas ainda são ineficientes na concepção de conservar de maneira efetiva todos os elementos da biota (CULLEN Jr. et al 2005). Vivemos hoje na região de inserção do Quadrilátero Ferrífero mineiro o conflito constante entre interesses econômicos com a exploração de recursos naturais e a conservação da biodiversidade. A Região Metropolitana de Belo Horizonte conta hoje com unidades de conservação e alguns fragmentos isolados que abrigam rica fauna e flora do nosso Estado. Entre estes, algumas espécies ameaçadas de extinção tanto em nível estadual como nacional, sobrevivem em meio à paisagem fragmentada.

Em 2005, Cullen Jr. e colaboradores introduziram o conceito de “Detetives Ecológicos da Paisagem” onde em seu trabalho, os autores utilizavam o maior felino das Américas, a Onça-pintada ( Panthera onca ) como um excelente indicador ambiental da paisagem. As espécies de felinos silvestres em geral, possuem grandes áreas de vida, e fazendo parte da cadeia trófica como predadores de topo, são essenciais na manutenção da diversidade biológica e da integridade do ecossistema a longo prazo (SOULÉ & NOSS, 1998). Na região do Vale da Mutuca podem ser encontradas duas importantes espécies silvestres de felinos ameaçados para o Estado de Minas Gerais e para o Brasil de acordo com as últimas listas vermelhas publicadas, sendo elas: Jaguatirica ( Leopardus pardalis ) o segundo maior felino pintado das Américas e a Onça-parda ( Puma concolor ), o segundo maior felino das Américas. Ambos encontram-se classificados como “Vulneráveis” de extinção para o Estado e para o Brasil. A manutenção de fragmentos florestais que permanecem ainda intocados como a região do Vale do Mutuca, é estratégica para a conservação e longevidade destas espécies. Estas espécies utilizam estas áreas como importantes fontes de recursos alimentares e representam importante parte de seu território. A área de vida de uma Jaguatirica varia de 0,76km² a 38,8km² enquanto uma Onça-parda varia entre 56km² a 155km². Apesar de ambas serem consideradas plásticas ambientalmente dizendo, adaptando-se às regiões impactadas, ambas necessitam de áreas significativas em termos de qualidade ambiental para sobreviverem. Portanto, a sua presença nas áreas do Vale do Mutuca, reafirmam sua importância e relevância ecológica como área de preservação estratégica para estas e outras espécies na região. A Associação Pró-Mutuca tem hoje um papel fundamental na preservação destes ambientes como ampla divulgadora e incentivadora de ações preservacionistas, partilhando dos princípios e responsabilidades ambientais, inerentes à toda a população.

Guilherme Leandro Castro Corrêa
Biólogo 49724/04-D - Endêmica Cursos e Consultoria Ambiental & Grupo Bocaina de História Natural e Educação Ambiental.


Fonte: www.luis-dos-cavallos.com . Autora: Ltshears – Trisha M. Shears.