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O jardim é a alma da construção

Os Ipês marcaram o final do inverno e algumas árvores como Tipuanas, Acácias e Jacarandá Mimoso anunciaram a chegada da primavera, que já nos agracia com suas cores e seus sabores. Usufruir desses prazeres da natureza tornou-se uma necessidade vital do ser humano. Sabe-se que esse contato não é apenas saudável, mas imprescindível à saúde física e mental do homem pós-moderno.

O simples fato de morar ou ter uma casa no Vale do Mutuca já atende a alguns desses prazeres proporcionados pela proximidade da natureza. Esse ambiente formado pela zona de transição da Mata Atlântica, com umas das maiores biodiversidades do planeta, para o cerrado, bioma marcado por uma riqueza ainda desconhecida, é uma estética já bastante apreciada. Uma casa de campo, amigos, livros e um jardim ...

O jardim é para a arquitetura o que a alma é para o corpo. Criar um jardim é antes de tudo refletir sobre a organização do seu espaço, a divisão de seus volumes, o traçado de suas aléias e a disposição de seus maciços ... É definir suas visadas, pensar suas cores, densidades e equilíbrio. É preciso moldar um lugar em função da atmosfera que se quer obter alguns anos mais tarde, quando as plantas estiverem em sua idade adulta. Essas definições são a etapa mais difícil da criação de um universo vegetal, pois são dessas escolhas que nasce a alma do jardim.

O período da seca é o ideal para podar as plantas, e com a chegada do período das chuvas, é hora de pensar no plantio, transplante, na adubação e intensificar a capina. A primavera já conta com alguns dias chuvosos, mas, mesmo assim, também com alguns intervalos de seca, o que faz com que seja necessário regar o jardim. Para isso, primeiro é preciso se pensar no melhor horário. O período da manhã é o mais indicado, de preferência entre 6h e 8h30, principalmente em áreas de pleno sol. Para se transplantar árvores, arbustos ou palmeiras é preciso primeiramente fazer o desmame. Nesse procedimento, cava-se uma vala de cerca de 10 cm de largura e 40 cm de profundidade formando uma circunferência de mais ou menos um metro de diâmetro no entorno do pé da planta. O tempo do desmame varia de 20 a 40 dias, dependendo de cada espécie, solo e clima. Após esse período, deve-se acabar de retirar o torrão e proceder ao transplante para uma cova pré-preparada e bem adubada.

E contar com o auxílio de profissionais competentes é um dos itens mais importantes para se obter as indicações das necessidades de cada planta, assim como o traçado de um jardim dentro do âmbito do equilíbrio entre a paisagem local e aspirações do proprietário.

Colaboração:  Schirley F.N.S.C. Alves, Engenheira Agrícola, doutora da Sorbonne (França) na área de Jardins e Paisagens; e Jane Maschietto, Engenheira Florestal,  especialista em Gestão Ambiental pela UFLA – Universidade Federal de Lavras.