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Entrevista - Roberto Messias Franco, Secretário Municipal de Meio Ambiente de Nova Lima

“A preocupação de formar os corredores ecológicos é a de ter uma área preservada e que tudo possa ser interligado, para que haja movimentação de todas as formas de vida.”

A importância dos corredores ecológicos é reconhecida pelo secretário municipal de Meio Ambiente de Nova Lima, Roberto Messias Franco. Ele ressalta que a criação deles protegerá nascentes, água, vegetação e fauna.
Um dos esforços de Franco tem sido estreitar o contato com as ONGs que defendem o desenvolvimento sustentável do município. Ele fala ainda da reestruturação do Codema, da Conferência de Meio Ambiente e dos monumentos naturais criados pela Prefeitura.

A Prefeitura de Nova Lima criou quatro monumentos naturais, atendendo as reivindicações de ONGs e pessoas que lutam pelo desenvolvimento sustentável do município. Qual o objetivo
dessa medida?

Fizemos a criação de quatro unidades consideradas de proteção integral, que são os monumentos naturais. Eles são previstos e descritos na Lei Nacional do Sistema de Meio Ambiente, e o objetivo dessa medida é preservar paisagens notáveis, consideradas patrimônio ambiental. No caso desses quatro monumentos, é porque entendemos que a partir de uma solicitação por parte de movimentos sociais para a serra do Souza, o prefeito resolveu ampliar e incluir também o morro do Elefante, o morro do Pires e a serra da Calçada.
Com esse ato, a Prefeitura de Nova Lima procura preservar esses monumentos da especulação imobiliária que tanto ameaça o município?

Sim. Se há alguns lugares como esses com paisagens notáveis e eles estiverem protegidos é um pouco a ideia que se passa de que o território tem que ser ocupado racionalmente. Haverá lugares onde serão construídas casas, edifícios, complexos industriais ou de serviços, mas tem outros lugares que queremos que não se construa para ficarem como a vista coletiva da população. Esse foi o espírito que o prefeito Cássio Magnani quis dar a essa criação
dos monumentos.
A 1ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, realizada no dia 6 de julho, em Nova Lima, e que vai se realizar em âmbito federal em outubro próximo, teve como tema central os resíduos sólidos. Esse parece ser um problema sério do município.
Em todas as cidades, praticamente. O Ministério do Meio Ambiente convocando a Conferência sobre esse tema foi muito feliz, pois está presente em todas as cidades e é muito oportuno para nós, em Nova Lima. O primeiro valor que a gente tem dessa conferência é ter presente que toda a ação de coleta de lixo e sua destinação é um problema basicamente ambiental. O lixeiro não é alguém que passa, leva o lixo para longe e nós não temos nada a ver com isso. Não. Muitas vezes, mais do que ter a engenharia do processo de coleta e destinação de lixo, é preciso educar as pessoas a produzirem menos lixo e destiná-lo corretamente.

Há uma área que fica depois dos condomínios, chegando a Macacos e ao Jardim Petrópolis, utilizada para trilha e prática de esporte, que pode ser alvo da especulação imobiliária. Existe algum projeto de preservação dela?

Temos uma coisa importante que deve ser feita e da qual estão partindo as primeiras discussões, ouvindo as manifestações de alguns grupos, que é a questão dos corredores ecológicos de Nova Lima. É nesse contexto que temos que ver quais são as áreas que merecem ter mais atenção para serem preservadas. Nova Lima tem hoje, entre as áreas ocupadas, se olharmos no mapa, um pouco mais de 60% do território municipal que ainda está como área verde. Ou seja, que é vegetação natural ou no máximo uma pastagem natural que foi roçada, mas temos uma área verde ainda grande. Quais dessas áreas podem ser usadas e quais devem ser preservadas?

As que devem ser preservadas temos o princípio do corredor ecológico, também descrito na legislação de áreas para conservação. A preocupação de formar os corredores ecológicos é a de ter uma área preservada e que tudo possa ser interligado, para que haja movimentação de todas as formas de vida. É nesse contexto que vamos lidar com todas as áreas de Nova Lima.

Animais de médio e grande porte, como onças e lobos, têm sido vistos na região do Vale do Mutuca. Os corredores ecológicos seriam também uma forma de proteger a fauna e flora da região?

Claro. Nos corredores ecológicos há três eixos fundamentais que justificam a sua criação. Primeiro, proteger as nascentes e as águas, porque se você não fizer isso não haverá o básico da vida. Aí temos uma interação grande dos corredores ecológicos com o tipo de esgoto que pode ser lançado. Segundo ponto são os corredores de vegetação, porque no caso da Mata Atlântica, por exemplo, em vez de ter fragmentos espalhados, os trechos se comunicam para que as espécies vegetais possam se frutificar e se multiplicar. E o terceiro eixo é a fauna que, da mesma forma é beneficiada com a ligação das reservas ecológicas através desses corredores.

Uma área que é motivo de preocupação para os moradores dos condomínios do vale do Mutuca é a que é conhecida como Anexo do Vila Del Rey, do qual já foi visto até um projeto de empreendimento imobiliário. A Secretaria de Meio Ambiente tem monitorado isso?

Os projetos que chegam à Secretaria de Meio Ambiente para aprovação, o espírito que olhamos é sempre esse: existem áreas no município que serão utilizadas, mas todas aquelas que têm uma função ecológica e são importantes para o equilíbrio ambiental, nós colocamos as restrições que são necessárias. Isso evita a fragmentação que prejudica os corredores ecológicos.

Na gestão municipal anterior havia algumas críticas em relação ao funcionamento do Codema. Que mudanças serão feitas para corrigir esses problemas?

O Codema já é paritário entre membros da sociedade e do governo. O que estamos fazendo, em primeiro lugar, é qualificar as reuniões e as deliberações, o papel do Codema. O prefeito é muito enfático nisso, no sentido de que o Conselho mantenha seu poder deliberativo, seja cada vez mais participativo e que possa tratar dos temas mais relevantes. Não é à toa que estamos levando para o Codema questões como a realização da Conferência Municipal de Meio Ambiente, a aprovação dos planos diretores para as unidades de conservação, o acompanhamento do plano municipal de saneamento.
Como tem sido o relacionamento da Secretaria de Meio Ambiente com as ONGs que trabalham há várias décadas em defesa do desenvolvimento sustentável de Nova Lima?

Pretendo estreitar cada vez mais essa relação para as melhores contribuições. No meu entendimento, Nova Lima tem entre os seus capitais, seja ele natural ou cultural, entre outros, um capital intelectual grande de pessoas que têm um grande percepção da importância do espaço em que habitam. E, no caso, a Promutuca e toda a região sabem disso e têm uma contribuição grande para dar nesse processo.

 

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