Portal Promutuca

Twitter Flickr YouTube Google Facebook

Anfíbios do Vale do Mutuca

A riqueza da fauna brasileira é sempreressaltada quando se fala em biodiversidade. E isso não é diferente no que se refere aos anfíbios anuros - os famosos sapos, rãs e pererecas. O Brasil ocupa a primeira colocação
entre os países onde esses pequenos animais são mais abundantes, com cerca de 900 espécies já descobertas, aproximadamente 15% do total mundial.

Minas Gerais possui mais de 100 espécies de anfíbios anuros registradas. Várias ocorrem no Vale do Mutuca, em Nova Lima, entre elas Bokermannohyla circumdata, Scinax longilineus, Phyllomedusa burmeisteri, Leptodactylus cunicularius e a Ischnocnema izecksohni (foto), cuja principal particularidade é não apresentar girino em seu desenvolvimento.

Outro importante exemplo existente na região é a Phyllomedusa ayeaye, espécie arborícola ameaçada com alto risco de extinção a médio prazo, de acordo com o “Livro Vermelho de Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção” (2008) - volume II.

Extremamente sensíveis às mudanças climáticas e ambientais, os anfíbios exercem um papel biológico muito importante. Funcionam como verdadeiros indicadores de qualidade. A forte atividade antrópica em áreas como o Vale do Mutuca coloca cada vez mais em risco a sobrevivência dessas espécies, assim como o desmatamento e a fragmentação dos ambientes que destroem os seus habitats.

A existência de recursos hídricos é estritamente necessária para a reprodução e sobrevivência dos anfíbios. Por isso, a poluição das águas também é um sério agravante, além da intensa atividade mineradora que tem ameaçado as populações anfíbias presentes no Vale do Mutuca e em outras regiões de Minas Gerais.

Fala-se muito em sustentabilidade. Mas é notório o impacto causado principalmente por empresas de mineração e de construção civil, que têm afetado não apenas os anfíbios anuros como toda a fauna e flora existentes no Estado. A redução dos danos causados deve ser alcançada. E para que isso aconteça de fato, é fundamental que estudos faunísticos e florísticos sejam mais bem elaborados, a fim de aumentar seus potenciais de influência junto ao poder público e às grandes empresas.

Colaboração:
JuliaThompson,
bióloga e herpetóloga em formação pela
Universidade Federal de Minas Gerais