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Período de chuvas provoca deslizamentos no
Vale do Mutuca

“É preciso se preocupar com o caminhamento da água desde a sua origem até o local de descarga final, no caso, o Córrego do Mutuca, para evitar problemas como deslizamentos.”

O atual período de chuvas provocou deslizamentos de solo no Vale do Mutuca. Uma das ocorrências aconteceu próxima à portaria 3 do Vila d’El Rey, outras duas entre o Vila Castela e a estrada de acesso à portaria 2 do Vila d’El Rey, nas proximidades do Conde de Baixo. Os deslizamentos provocaram acidentes de trânsito sem gravidade. Para evitar o risco de novos registros, foram encaminhadas várias denúncias à Defesa Civil de Nova Lima, pela Promutuca e também por moradores. “Parte do material colapsado chegou a ser retirada pela prefeitura de Nova Lima em novembro do ano passado em virtude da solicitação de um morador. Mas, poucos dias depois, houve um novo deslizamento em um desses locais”, informa a presidente da Promutuca, Gisele Kimura.

Segundo ela, a Promutuca entrou diversas vezes em contato com Defesa Civil de NL, e foi informada que foram feitas várias vistorias nos locais dos deslizamentos. No entanto, o material só será removido após o período de chuvas. “O argumento é que o solo de certa forma serve de apoio ao restante do talude que está em situação de risco na parte superior”, diz Gisele Kimura.

No início de janeiro, funcionários da prefeitura de Nova Lima construíram uma canaleta de drenagem ao lado de um dos deslizamentos como solução paliativa para impedir maiores danos no local. De acordo com os técnicos, os deslizamentos foram deflagrados pela deficiência da canalização de águas pluviais de algumas residências, que concentram todo o escoamento para os taludes da estrada em uma área extremamente susceptível à ocorrência de processos erosivos.

Filito – “Essas ocorrências ilustram a fragilidade da região do Vale do Mutuca, situada sobre uma rocha chamada filito, que é uma rocha metamórfica com granulometria fina e uma foliação bem marcada. Este tipo de rocha favorece a ocorrência de rupturas planares dependendo do ângulo entre o talude de corte e a foliação da rocha”, explica Gisele Kimura, geóloga especialista em águas subterrâneas. Ela esclarece que um sistema de drenagem adequado deve favorecer a recarga de água nos aqüíferos para evitar enchentes, deslizamentos de terra e assoreamentos. “É preciso se preocupar com o caminhamento da água desde a sua origem até o local de descarga final, no caso, o Córrego do Mutuca”, diz.