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Vale do Mutuca

Área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado

Um dos principais remanescentes contínuos de Floresta Atlântica, o Vale do Mutuca é área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado e está seriamente ameaçado por interesses particulares.
A área afetada pela perspectiva de implantação do Condomínio Vila Castela II constitui um corredor ecológico que interliga a Área de Proteção Especial (APE) Manancial Mutuca, da Copasa, com a Reserva Biológica Mata do Jambreiro. Essas reservas abrigam importantes remanescentes de Mata Atlântica e são fonte de grande parte da água que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte. As informações são do biólogo Pedro Lage Viana, morador do Vila Del Rey.
Ele explica que o Vale do Mutuca está inserido na região de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado. Em áreas mais úmidas, como vales de córregos e riachos, são encontradas belas florestas com espécies de árvores típicas de Mata Atlântica, como a braúna, o jacarandá-caviúna, a canela-sassafrás, o pau-d'óleo, o ipê amarelo, orquídeas e bromélias. Nessas florestas, de acordo com o biólogo, também vivem diversas espécies de mamíferos comuns na Mata Atlântica, muitos ameaçados de extinção, como a jaguatirica, a paca e o cachorro-do-mato, além de diversas aves: jacu, curiango, saracura, guacho, sabiá, joão-de-barro, coleirinha. Em áreas mais secas, nos topos das montanhas, a vegetação é de cerrado, com belas árvores caracteristicamente retorcidas, de folhas duras, flores encantadoras e frutos saborosos. A gabiroba, o jacarandá-do-cerrado, o lobeira, o barbatimão, o pau-de-tucano são comuns na região. "É este o lugar onde vivemos. A nossa casa. A natureza ainda vive por aqui com sua exuberância e riqueza representando dois dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do mundo. E esta riqueza? Estamos mesmo cuidando dela para garantir à s futuras gerações um lugar melhor para se viver?”, questiona PedroViana.
Hotspots – Segundo ele, artigo científico publicado na Revista Nature em 2000 elegeu 35 regiões do mundo prioritárias para a tomada de medidas de preservação ambiental, denominadas hotspots. Os principais critérios para a escolha dessas áreas adotados pelos cinco cientistas que assinaram o artigo, entre eles um brasileiro, foram a riqueza de espécies e o grau de degradação. Dos cinco hotspots estabelecidos para a América do Sul, dois estão no Brasil: o Cerrado e a Mata Atlântica. A exuberante diversidade da fauna e flora e o ritmo acelerado de devastação desses biomas justificam a inclusão na lista das áreas com a biodiversidade mais ameaçada do planeta, defende o biólogo: "Infelizmente, nenhuma lei federal regulamenta a preservação de áreas de Cerrado, o que torna este bioma ainda mais ameaçado. A Mata Atlântica conta com uma legislação federal específica que define áreas de preservação permanente e estabelece critérios para a ocupação do solo”, diz.
Pedro Viana informa que do Cerrado, onde existem mais de 4,5 mil espécies de plantas endêmicas, restam 21% da cobertura vegetal original. A Mata Atlântica, onde são encontradas mais de 8 mil espécies de plantas endêmicas, está hoje representada por apenas 8,1% de sua cobertura original.