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Raras emoções

Quem mora no meio do mato tem oportunidade de viver grandes emoções ao observar a fauna e a flora à  sua volta. Como, por exemplo, testemunhar o bem-te-vi apartar uma briga de tico-ticos, realizando um voo rasante, dispersando os dois que, assustados, resolveram cuidar cada um de sua própria vida. Eu e minha filha fomos testemunhas, e ficamos atônitas! Olhamos uma para a outra, admiradas. E ficamos felizes de poder narrar o fato sem parecer "história de pescador”. "É verdade, nós duas vimos”!
Talvez seja esse mesmo bem-te-vi que faz ninho, com sua companheira, todos os anos no mesmo local, aqui em casa: na calha, bem na descida da água. Já vimos tantos filhotes nascerem e crescerem que virou rotina. Caso a chuva estrague a casa, que tem até cobertura, eles, pacientemente e em pouco tempo, refazem tudo.
Este ano, entretanto, tivemos duas boas novas emoções. Um casal de saíra fez ninho e criou dois filhotinhos na árvore em frente à  janela da cozinha. E o macho passou toda a primavera, e está até hoje, brigando com sua imagem na janela ao lado. Suas brigas são feias e, à s vezes, penso que é alguém chamando, batendo na porta.
A outra novidade foi uma fêmea de pássaro noturno, talvez de bacurau-pequeno, fazer ninho em uma cobertura de pedras que há na varanda e da qual temos uma visão total do nosso escritório. Inicialmente foi seu canto que nos chamou a atenção (piiiii-uí!). Todas as noites, até quase uma hora da manhã, ela cantava. E alçava voo quando chegávamos mais perto para tentar divisá-la. Depois de um tempo, resolveu permanecer no local para colocar seus ovos, e passamos a vê-la o dia todo quietinha, só mudando de lugar quando o sol a incomodava. Em uma dessas observações não tive dúvidas: havia um filhote felpudinho, quase um floco de algodão marrom-claro, e fotografei. Era sim, um filhote! Mas na verdade eram dois, depois que cresceram mais um pouco nós os vimos em locais diferentes. E tivemos ainda a emoção de ver a mãe ensinando-os a voar. Ela dava uns passinhos e alçava rápidos voos, como a animá-los a tentar. Ficamos preocupados com o pequenino, mas a mãe cuidou dele até que conseguiu voar. Inicialmente ficavam os dois enroscados, o pequenino se aquecendo na mãe. E crescendo dia-a-dia... até que não o vimos mais!
Acredito que sejam muitas as histórias que nossos vizinhos têm pra contar. E é importante observar e cuidar da natureza à  nossa volta. Afinal, nós somos os intrusos, nós e nosso concreto viemos mudar a vida deles. E, em troca, eles ainda nos proporcionam essas lindas emoções!